Mato Grosso registrou mais de 130 denúncias de violência contra a mulher por dia entre janeiro e maio deste ano, conforme levantamento do Observatório Caliandra, do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). No período de 1º de janeiro a 21 de maio de 2026, foram contabilizadas 18.536 ocorrências em todo o estado.
Os dados apontam que mais de 18 tipos de crimes contra mulheres foram denunciados neste período. Entre os casos mais frequentes estão ameaça, com 6.409 registros, lesão corporal, com 3.231 ocorrências, e injúria, que somou 2.339 denúncias.
Além das ocorrências registradas, 7.491 mulheres solicitaram medidas protetivas de urgência até maio deste ano. O instrumento é utilizado para garantir a segurança de vítimas de violência doméstica e familiar, afastando agressores e impondo restrições determinadas pela Justiça.
O levantamento também revela um cenário preocupante em relação aos feminicídios. Entre janeiro e maio, Mato Grosso registrou 18 assassinatos de mulheres motivados por violência de gênero. Cuiabá lidera o número de casos, com três ocorrências, seguida por Tangará da Serra, com dois registros. A maioria das vítimas tinha entre 18 e 24 anos.
Entre os casos que marcaram o período está o da aposentada Nilza Moura de Souza Antunes, de 64 anos, encontrada morta e enterrada no quintal da própria residência, em Cuiabá. O marido da vítima foi preso e confessou o crime à polícia. Outro caso que gerou repercussão foi o assassinato de Clara Vitória da Silva, de 23 anos, encontrada morta dentro de casa em Tangará da Serra. Um vizinho foi preso suspeito de cometer o crime.
Segundo especialistas e órgãos de proteção às mulheres, os números podem ser ainda maiores devido à subnotificação, já que muitas vítimas deixam de denunciar por medo, dependência financeira ou receio de represálias dos agressores. A rede de enfrentamento à violência orienta que denúncias podem ser feitas por meio do telefone 180, delegacias especializadas e demais canais de proteção disponíveis no estado.
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