O Fórum da Comarca de Juína sediou, nesta terça-feira (30), o júri popular de Edivan Barbosa Pereira, de 25 anos, conhecida pelo nome social de "Yasmin" ou "Edivânia". Ela foi condenada por duas tentativas de homicídio ocorridas em agosto de 2024. O julgamento foi presidido pelo juiz Vagner Dupim Dias, com atuação do promotor Adalberto Biazotto Junior e defesa do defensor público Caio Eduardo Felício Castro.
Segundo a denúncia do Ministério Público, os crimes ocorreram na tarde de 15 de agosto de 2024, em uma mercearia localizada na Rua Sucupira, bairro Padre Duílio. Edivânia teria tentado matar Igor Barbosa Neta, de 19 anos, por motivo torpe, inconformada com o término do relacionamento. Ela derrubou Igor no chão e tentou esganá-lo. O ataque só não terminou em morte graças à intervenção de Morivaldo, proprietário da mercearia, que conseguiu afastar a agressora.
Após deixar o local, Edivânia retornou e surpreendeu o dono da mercearia com golpes de faca quando a vítima estava de costas. Ela desferiu vários golpes que atingiram a cabeça, o rosto e o peito da vítima, mas o crime não se consumou porque o cabo da faca quebrou e Morivaldo foi socorrido.
Durante o júri popular, o Conselho de Sentença reconheceu, por maioria, a autoria e a materialidade dos dois crimes. Em relação a Igor Barbosa Neta, os jurados entenderam que houve tentativa de homicídio simples privilegiado, afastando as qualificadoras de motivo torpe e asfixia. O laudo pericial apontou ausência de comprometimento significativo das vias aéreas e outros fatores, o que reforçou a decisão.
Já no caso de Morivaldo Pinheiro Brune, o júri manteve a acusação de homicídio qualificado tentado, reconhecendo as qualificadoras de motivo torpe e de recurso que dificultou a defesa da vítima, rejeitando a tese defensiva de desclassificação para lesão corporal.
Com base no veredito, a Justiça fixou a pena definitiva de 11 anos, 3 meses e 10 dias de reclusão, a ser cumprida inicialmente em regime fechado.
Apesar de ter sobrevivido à tentativa de homicídio, Morivaldo Pinheiro Brune, que tinha 69 anos, foi assassinado meses depois. No dia 14 de março de 2025, ele foi morto a golpes de cinzeiro na cabeça dentro de sua própria casa, tornando-se a primeira vítima de homicídio do ano em Juína.
O autor do crime foi justamente Igor Barbosa Neta, a primeira vítima das agressões de Edivânia em agosto de 2024. Igor foi preso dias depois em Colniza e também deverá responder a júri popular.
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