Um caso grave envolvendo o uso de inteligência artificial para criar imagens falsas de adolescentes está sendo investigado pela Polícia Civil em Juína, no noroeste de Mato Grosso. A situação provocou indignação entre famílias e mobilizou autoridades após denúncias feitas por pais de estudantes.
De acordo com as primeiras informações, imagens de meninas teriam sido manipuladas digitalmente por colegas, utilizando ferramentas de inteligência artificial para criar montagens de conteúdo íntimo. As fotos teriam sido produzidas a partir de imagens reais das adolescentes e posteriormente compartilhadas em ambientes digitais.
Preocupados com a situação, pais de pelo menos 12 estudantes procuraram a delegacia para registrar ocorrência e denunciar o caso. As vítimas, acompanhadas dos responsáveis, relataram o impacto emocional causado pelas montagens falsas que circularam entre alunos.
Durante as diligências iniciais, a Polícia Civil identificou quatro estudantes suspeitos de envolvimento na criação e possível disseminação do material. Aparelhos celulares foram apreendidos e encaminhados para perícia, que deverá analisar mensagens, arquivos e o histórico de uso dos dispositivos.
Segundo a polícia, as vítimas passarão por escuta especializada, procedimento realizado por profissionais capacitados para lidar com adolescentes em situações sensíveis.
As autoridades alertam que produzir, armazenar ou compartilhar imagens íntimas envolvendo menores de idade — mesmo que manipuladas digitalmente — pode configurar crime, conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Dependendo do caso, a conduta pode resultar em responsabilização criminal ou, quando praticada por menores, em ato infracional.
O caso também reacende o debate sobre os riscos do uso indevido de tecnologias de inteligência artificial, capazes de criar imagens extremamente realistas, conhecidas como “deepfakes”.
A Polícia Civil segue investigando o caso para identificar todos os envolvidos e esclarecer como o material foi produzido e disseminado.
Autoridades reforçam a orientação para que pais e responsáveis acompanhem o uso da internet pelos filhos e denunciem qualquer situação semelhante às autoridades.

Comentários: